segunda-feira, 14 de outubro de 2013


As folhas secas no chão denunciavam meus passos e anunciavam minha chegada. Ela estava com o cão, cujo flanco servia como apoio para as trêmulas mãos. O nervosismo era claro em seu olhar, que ficava túrgido devido às angustiadas lágrimas. 
Parecia uma crise sem fim, que durava horas e não cessaria tão já. Bagunçava sua mente e deixava preocupação a sua volta. Perguntei o motivo daquilo e tudo que recebi como resposta foram os pesados olhos em minha direção que se logo se voltaram para a macia pelagem do cachorro, na qual seus dedos se escondiam. 
Pensei em inúmeros comentários possíveis para se fazer naquele momento, mas escolhi apenas me sentar em seu lado, esperando que minha companhia fizesse algum bem. A primeira palavra saiu de sua boca: "Desculpe." Não entendendo o motivo do pedido, disse que não havia porquê se desculpar, estava tudo bem. Isso foi o suficiente para que ela se sentisse segura para dividir suas reflexões comigo.
Depois de algumas horas somente ouvindo, percebi o que causava o caos: excesso de pensamentos. Ela só precisava de alguém para escutá-la, para tirar o nó de sua mente, pois ela mesma estava exausta dele.

Um comentário: